Fortaleza (CE) promove formação sobre acolhimento e acompanhamento de casais em nova união

O Encontro Arquidiocesano da Pastoral Familiar

No dia 12 de setembro de 2026, a Pastoral Familiar da Arquidiocese de Fortaleza, que pertence à Região Nordeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizou o 9º Encontro Arquidiocesano. Este evento ocorreu na Faculdade Católica, em Fortaleza, e teve como objetivo reunir representantes de 25 paróquias para uma profunda formação sobre a evangelização e o acompanhamento das famílias, com um foco especial nos casais que estão em nova união.

A formação e os agentes envolvidos

A formação foi liderada pelo casal Wellington e Gervândia, responsáveis pelo Setor Casos Especiais da Comissão Arquidiocesana da Pastoral Familiar. Durante o encontro, o tema central foi o “Acolhimento aos Casais em Nova União”. Os participantes foram instigados a entender que a pastoral voltada para casais em novas uniões não deve ser tratada como uma prática isolada ou a construção de uma nova pastoral, mas sim como uma extensão do trabalho pastoral geral.

Desafios da evangelização nas novas uniões

Um dos aspectos enfatizados foi a necessidade de uma Igreja que manifeste acolhimento, compaixão e acompanhamento, sem abrir mão da verdade dos ensinamentos da fé. Os agentes foram convidados a escutar as histórias de vida dos indivíduos e dos casais, reconhecendo as dificuldades, feridas, responsabilidades e circunstâncias que cada um enfrenta. A intenção é que cada família sinta-se parte de uma comunidade cristã que oferece um espaço de acolhimento, respeito, misericórdia e esperança.

casais em nova união

Acolhimento e misericórdia na pastoral

Durante a formação, também foi recordada a orientação da Exortação Apostólica Familiaris Consortio, que fala sobre a atenção que deve ser dada pastoralmente aos que vivem situações de divórcio e nova união. A figura apresentada pelo Papa Francisco da Igreja como um “hospital de campanha”, referida na Amoris Laetitia, ajuda a entender que a missão da Igreja é se aproximar das pessoas que estão feridas, oferecendo escuta, cuidado e ajuda para que possam continuar sua jornada de fé.

A Igreja como hospital de campanha

A lógica por trás da metáfora do “hospital de campanha” é clara: a Igreja deve ser um lugar onde as pessoas se sintam seguras para compartilhar suas lutas e desafios. A pastoral deve, portanto, se esforçar para implementar práticas que ampliem a compreensão e o acolhimento entre as comunidades.

Atitudes fundamentais no acompanhamento pastoral

No decorrer da formação, um modelo pastoral foi sugerido, fundamentado em quatro atitudes essenciais:

  • Acolher: Acolher implica receber cada casal com respeito, paciência e misericórdia, evitando julgamentos.
  • Acompanhar: Acompanhamento é um caminho conjunto, onde o processo pastoral se estende além de um único encontro, sendo necessário oferecer oportunidades de diálogo e reflexão contínua.
  • Discernir: Discernir envolve compreender as realidades individuais à luz dos ensinamentos do Evangelho, levando em conta a história e a possibilidade de acolhimento de cada um.
  • Integrar: A integração refere-se à ajuda para que cada família encontre sua participação na vida da comunidade, reforçando laços com Deus e com a Igreja.

Preparação da comunidade para acolher

Além disso, foi salientado que o trabalho com casais em nova união deve ser precedido por uma preparação da própria comunidade, que deve estar pronta para este acolhimento. Para isso, é importante que haja um investimento na formação dos agentes pastorais, no estudo dos documentos da Igreja e no desenvolvimento de uma cultura comunitária que valorize o acolhimento.

A importância da espiritualidade dos agentes

A espiritualidade dos agentes é de suma importância. Eles devem sustentar sua missão na oração, na Palavra de Deus e na Eucaristia, sempre em busca da humildade e caridade. O apoio mútuo entre os agentes, assim como a comunhão com sacerdotes e a própria Igreja, são fundamentos essenciais para um trabalho eficaz.

Construindo uma Família de Famílias

No encontro, foi proposta a ideia de que as paróquias possam se tornar verdadeiras “Famílias de Famílias”, locais que acolhem não só os que têm uma estrutura familiar tradicional, mas também aqueles que enfrentam dificuldades. A proposta reafirma que ninguém deve se sentir abandonado pela Igreja, pois cada indivíduo possui uma história única que merece acolhimento.

Diretrizes para o Itinerário Bom Pastor

No final da formação, foram apresentadas orientações para a aplicação do Itinerário Bom Pastor, destinado aos casais em nova união. Esse material não deve ser visto como uma fórmula pronta, mas como um guia que auxiliará as paróquias a desenvolver um acompanhamento pastoral significativo.

Adicionalmente, os participantes da formação tiveram a oportunidade de conhecer um estudo de caso da Paróquia Nossa Senhora das Dores, localizada em Otávio Bonfim. Este caso demonstrou na prática como o trabalho pode ser realizado com casais, enfatizando a importância de várias etapas, desde o convite inicial até o acompanhamento contínuo realizado por agentes formados da Pastoral Familiar.

O principal objetivo desse trabalho pastoral é a evangelização, que vai além da questão sacramental. A Pastoral Familiar é chamada a ajudar cada indivíduo a reencontrar Jesus Cristo, a redescobrir a oração e o conhecimento da Palavra de Deus.

Os agentes devem estar prontos para acolher, escutar sem preconceitos, orientar com caridade e verdade, e reconhecer suas próprias limitações. Em algumas situações, pode ser necessário buscar a ajuda de sacerdotes ou profissionais especializados.

Em suma, a formação ressaltou que a Igreja deve ser um porto seguro, um espaço onde as feridas possam ser cicatrizadas e as famílias, independente de sua situação, possam ser apoiadas em sua caminhada com Deus.